Aqui é tão escuro, tão vazio, solitário. Parece fúnebre, só há trevas pois toda luz já se dissipou. Há tempos que essas pensamentos obscuros recaem sobre minha cabeça, um tipo de lembrança que eu adoraria exilar da mente. Vejo manchas de recordações antipáticas e isso me causa arrepios. Tudo em mim mudou, minha pele está mais limpa e apesar desses raros momentos sórdidos eu dou muito mais gargalhadas que outrora. Já cai na real que o que penso de nós dois é apenas sonho, são fantasias muito mal fantasiadas de um alguém sem inspiração, de alguém que gostaria de ser muito mais que um mosaicos de sentimentos mal arranjados. Vivendo quase uma vida dupla, ora lobo, ora cordeiro; ora engando, ora sendo enganado. Sou mais Maquiavélico agora, não que me orgulhe disso, mas é que todas as lágrimas secaram, qualquer rancor um dia sentido, se foi. Cuia rasa e vazia, um monstro carente. É isso que sou, foi nisso que me tornei. Um homem que já viveu aventuras e desventuras, que já se entregou, mas nunca teve ninguém entregue; é isso que sou. Vivo no topo agora, entrego quase nada e arranco tudo que posso. Cuidado mulher, agora sou furacão. Sou um conhecido completamente desconhecido, abstratamente irreconhecível. Nada do que eu fui restou, apenas cinzas dum fogo que já se exauriu. Sou fênix, sou renascido. É isso que sou.
Arthur Gondinho








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